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  • Wladinéia Danielski

FAÇA UMA LISTA DE GRANDES AMIGOS…

Atualizado: Fev 28


Estamos na era da pós-modernidade. Portanto, bem vindos ao mundo das tecnologias, da globalização, da redução das fronteiras, da virtualidade, do tempo não linear, das redes, das soluções rápidas e imediatas.


Este é o mundo que, além de impor-nos mudanças comportamentais e relacionais, impulsiona para uma nova visão da realidade. De fato, quem não olhar com outros olhos, acabará ficando cego, ou seja, ficará para trás neste processo todo.

Urge uma mudança paradigmática, visto que os moldes cartesianos estão obsoletos e a visão do todo toma o lugar da visão reducionista de antes. As palavras da hora são complexidade, redes e sistema.


A vida neste novo e veloz mundo é uma grande conexão. Uma comunicação escrita entre duas pessoas habitantes de continentes diferentes, há cerca de 30 anos, levava dias para acontecer, e hoje, com a ajuda da tecnologia, é instantânea. O conhecimento está disponível na Internet de uma forma muito menos morosa como quando ficávamos horas sentados em uma biblioteca escolar. Conexão e velocidade!


Nada existe isoladamente. Tudo existe de forma contextualizada e conectada em rede. Uma coisa leva à outra, tecendo o emaranhado das redes.


À propósito, o olhar para as redes já existia há muito tempo, mas só agora tomou uma abrangência maior. Por exemplo: Lembram das brincadeiras de redes quando eram crianças? Redes de cartas, redes de livros, redes até de dinheiro.

E na atualidade? Redes de amigos na internet, redes profissionais, redes de e.mails...


Tramas! Conexões! Rizomas![1]


Nos relacionamos em redes: fulano que conhece beltrano, que é parente do ciclano.


E, subitamente, nos vemos no meio de um turbilhão de relações, de exigências, de demandas e respostas que nos são auto e hetero impostas.


Como conseqüência disso tudo, surgem as angústias, a baixa auto-estima, o sentimento de menos valia e de incompetência. E o mundo nos cobrando soluções: não sinta medo, não exite, não sofra, seja alegre e proativo.


Parece que não existe lugar na pós-modernidade para o sofrimento!


“Ostra feliz não faz pérola”, disse Rubem Alves (2008), escritor brasileiro. Ele conta que a pérola é resultado de uma defesa da ostra quando uma ameaça a invade, como um grão de areia, por exemplo. A ostra libera uma substância sobre a ameaça, encapsulando-a, e daí surge a pérola.


Portanto, segundo o autor, o sofrimento pode resultar em um ato criativo, pode ser o propulsor para o crescimento e para a produção de algo melhor.


Nesse sentido, relações conflituosas, redes relacionais emaranhadas, misturadas, caso experimentadas, avaliadas, rematrizadas, podem resultar em valiosos tesouros.


Lembro agora do que ouvi na Conferência Magna do XI Congresso Brasileiro de Psicodrama, proferida pela psicodramatista norte-americana, Zerka Moreno. Dizia ela que deveríamos fazer esporadicamente nossa “contabilidade relacional”, assim como contabilizamos nosso dinheiro no banco , observando créditos, débitos, poupanças e dívidas. Segundo ela deveríamos contabilizar as relações interpessoais do período, avaliando quais relações queremos manter, em quais relações devemos investir mais, de quais relações devemos nos desfazer e quais nos são indiferentes.


Esta é uma forma de escolhermos e construirmos nossa vida, fazendo parte do todo, mas circulando mais energia em algumas correntes relacionais. Dessa forma não nos emaranhamos na rede, como um peixe que se aprisiona e se debate em seu cativeiro, mas fazemos escolhas e tecemos nossa própria conexão com as pessoas e o mundo, onde o reconhecimento de Si e do Outro faça-nos sujeitos de um Nós transformador, talvez protagonistas de um verdadeiro e admirável mundo novo.

“Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há 10 anos atrás

Quantos você ainda vê todo dia...

Quantos você já não encontra mais.”

OSWALDO MONTENEGRO

[1] Rizoma diz respeito a um tipo de caule das plantas o qual se espalha horizontalmente tanto de forma aérea quanto subterrânea. É utilizado na ciência social para referir as multiplicidades, os movimentos e os devires.


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